Docente do curso de Biomedicina do UNIFEB integra equipe em radioembolização inédita, considerado um avanço histórico no SUS

Procedimento de alta complexidade amplia possibilidades terapêuticas e evidencia o papel da inovação na formação em saúde

Um marco na medicina pública brasileira contou com a participação de uma docente do UNIFEB (Centro Universitário da Fundação Educacional de Barretos). A Profa. Esp. Tamires Naiara Mantovani Granero, do curso de Biomedicina, integrou a equipe responsável pela primeira radioembolização realizada em um paciente pelo SUS (Sistema Único de Saúde) no Hospital de Amor de Barretos, contribuindo diretamente na etapa de aquisição de imagens.

Biomédica com especialização em Diagnóstico por Imagem, Tamires leciona a disciplina de Laboratório Clínico no curso de Biomedicina do UNIFEB. Durante o procedimento, sua atuação foi essencial para validar o planejamento clínico por meio de exames avançados. “A participação do biomédico na primeira radioembolização realizada no Hospital de Amor foi totalmente na área de aquisição de imagem. A paciente realizou exames na gama câmara (cintilografia), PET-CT e angiógrafo. Minha participação direta foi na aquisição de imagem no PET-CT, onde tivemos a certeza de que todo o planejamento que havia sido feito foi concluído com sucesso”, explica.

A radioembolização é uma técnica minimamente invasiva, realizada por uma equipe de radiointervenção, que utiliza microesferas carregadas com material radioativo, neste caso, o Ítrio-90 (Y-90). Essas partículas são introduzidas por meio de um cateter intra-arterial até a região do tumor hepático, promovendo a obstrução dos vasos que o irrigam e contribuindo para a redução ou destruição da lesão. “A maioria dos pacientes que têm indicação para a radioembolização apresenta tumores muito volumosos e não são candidatos à cirurgia ou ao transplante hepático. A ideia é diminuir o tamanho da lesão para que ele possa, futuramente, realizar a cirurgia ou o transplante. Caso isso aconteça, aumentam as chances de cura”, destaca a docente.

Além dos benefícios clínicos diretos, o procedimento também representa impacto positivo para o sistema público de saúde. Segundo Tamires, a técnica pode reduzir custos com internações prolongadas, tratamentos como quimioterapia e radioterapia, além de outras intercorrências ao longo do processo terapêutico.

De acordo com a docente, o projeto teve início a partir da doação de um cateter e esferas do Itrio-90 (Y-90) por uma empresa fabricante, aliado à identificação de uma paciente com perfil adequado para o tratamento. “Nosso objetivo é que ela tenha sido a primeira de muitos outros pacientes. Por se tratar de um procedimento extremamente caro e que ainda não consta na tabela do SUS, estamos esperançosos para que novas doações ocorram e possamos atender mais pessoas, levando qualidade de vida e esperança”, afirma.

Para os estudantes de Biomedicina, a experiência reforça a importância da ciência e da inovação na área da saúde, além de ampliar a visão sobre o campo de atuação profissional. “Essa vivência mostra a diversidade de áreas em que o biomédico pode atuar. Todos os profissionais envolvidos são pós-graduados em Diagnóstico por Imagem, o que evidencia que a Biomedicina é uma área ampla. Não estamos restritos às análises clínicas; podemos atuar em diferentes frentes, com mais de 30 áreas de habilitação”, conclui Tamires.

 



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